"Boa parte da nossa relação com o ruído procede do desenvolvimento tecnológico, especialmente em seu caráter mais portátil: sempre carregamos sobre nós dispositivos que nos recordam que estamos conectados, que nos avisam quando recebemos uma mensagem, que organizam os nossos horários com base no ruído. Esta circunstância veio incorporar-se às que já haviam tomado forma no século XX como hábitos contrários ao silêncio, especialmente nas grandes cidades, governadas pelo tráfego de veículos e por numerosas variedades de contaminação acústica. Neste contexto, o silêncio implica uma forma de resistência, uma maneira de manter a salvo uma dimensão interior frente às agressões externas. O silêncio permite-nos ser conscientes da conexão que mantemos com esse espaço interior, o silêncio a visibiliza, enquanto o ruído a esconde. Outra maneira de nos conectarmos com o nosso interior é o caminhar, que transcorre no mesmo silêncio. O maior problema, provavelmente, é que a comunicação eliminou os mecanismos próprios da conversação e se tornou altamente utilitarista com base nos dispositivos portáteis. E a pressão psicológica que suportamos para os armazenarmos é enorme". David Le Breton
01/12/2025
Ficar em silêncio e caminhar
Texto completo em: http://estaremsi.com.br/ficar-em-silencio-e-caminhar-sao-hoje-duas-formas-de-resistencia-politica/
01/06/2025
Estar aqui e estar ali
Sou uma criatura insatisfeita. Para minha vergonha. Não, não se preocupem, não é uma vergonha passional, é só uma maneira de dizer que estar insatisfeita é insatisfatório.
Tenho me exercitado em ter mais contentamento e já consegui bons avanços, mas às vezes me pego querendo estar em outro lugar, outra casa, outra vida. Aliás, já repararam que, cada um de nós podia viver muitas vidas diferentes? Uma rua atravessada antes ou depois, um contato aceito ou recusado, um sim ou um não fazem as nossas linhas da vida...e de nossos antepassados. A mágica está em estar AQUI, plenamente pois, afinal, é aqui que estamos.
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